TORMENTO
Tenho, em certas noites
Frias e escassas de mendigos,
Meu desejo como a luz fraca de um abajur
Que não sacia paredes.
Tenho, em outras noites,
O cio das mariposas que cobrem a lâmpada
Como se dela jorrasse néctar de flores noturnas.
Passam imagens de atormentar até santos...
Poderoso é o desejo quando
Ele bate à porta, na solidão da noite.
Derrama angústia na mulher casada
Que tece a madrugada, à espera de seu Ulisses.
Tenho, em certas noites,
O carinho pela mais reles prostituta.
Vejo sua santa genitália
Como um chumaço aceso a incendiar a noite
E a salvar homens.