TEMPO DE FANTASIAS
Tempo de encobrir;
Tempo de mortalhas.
“Pro quarto, já, já.
A conversa é pra adulto!”
Infância vaga,
História paga,
Memórias apagadas;
Tempo de flores sobre dores
E, ainda assim,
Tempo de fantasias:
Do bicho-papão
Do papa-figo
Do lobisomem
Da “cumade fulôzinha”
“Garrafa e meia, jornais velhos e revistas”,
Gritava um velho maltrapilho
Conduzindo um carro de mão
Feito de madeira.
Papai nos assustava dizendo que era o
Bicho-papão que levava as criancinhas.
Naquela época, havia um outro bicho-papão
De que papai nunca me falou.
Esse era de verdade;
E até hoje se procura gente
A quem o bicho levou.