SEBASTIÃO
À memória de meu pai

Na maré onde houver
Um aratu menino
Caçando alimento
Na beira do mangue,
Lá estará Sebastião!

No momento em que passar
Um cordão de saúnas
Espalhando alegria e beleza
Pelas avenidas marítimas,
Lá estará Sebastião!

No lugar onde viver
Um velho pescador
A costurar sua rede
Debaixo de uma cabana,
Lá estará Sebastião!

Na tarde em que despencar
Do morro para a praia
Um rapazote sem camisa
Montado num alazão-estrela,
Lá estará Sebastião!

No terreiro onde se reunir
Gente em torno de uma fogueira
A assar milho verde
E a fazer adivinhações,
Lá estará Sebastião!

No escritório onde trabalhar
Um senhor de óculos
Com um lápis comum
Escanchado em uma das orelhas,
A digitar numa máquina de somar
Como se ela fosse um computador,
Lá estará Sebastião!

Nas feiras livres do interior deste país
Onde houver um caboclo vendendo macaxeira
Ou um cidadão comprando laranja-mimo
E pechinchando preço de banana-maçã,
Lá estará Sebastião!

E se, por fim, viajando pelo mundo,
Você encontrar gente alegre
Procurando um lugar para se divertir,
Ou buscando um recanto agradável
Para viver um momento de paz
Com sua família,
Certamente, ali, sorridente,
Contando anedotas,
Você encontrará Sebastião!

 
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