PARA ALÉM DO PEITO TATUADO

Bem ali, na fronteira:
Para além do cais,
Para além do peito tatuado de Denise...
Depois dos excessos das festas,
Após os terminais de ônibus suburbanos,
Eu vi, no espelho do futuro,
O fantasma do Nada.

Eu havia cuspido na esquina,
Minutos antes das balas perdidas
Encenarem seu culto semanal:
Falaram desde o velho 38
Até a moderníssima pistola tcheca...
E eu vi o nada que sou,
No espelho do futuro.

Passei pelo mesmo velho bar
Onde, um dia, a noite da vida boêmia,
Através de poetas periféricos,
Gerou versos – de hambúrgueres –
E botou riso em garçonetes infelizes.

Terminei, como sempre, chegando em casa,
E foi bom saber da solidão agasalhada
Que aguardava o meu retorno.
Os vizinhos me esperando
Pelas brechas de suas portas e janelas.

Encontrei meu telefone chorando,
Em silêncio. Na tela da televisão,
Uma tempestade cinzenta. Procurei
Um sinal, para não achar a vida estúpida...
Deus, compreensivo, do outro lado da rua,
Gargalhava num boteco,
Completando a sinfonia com meus amigos bêbados.

 

 

 

 

 
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