DE PASSAGEM

O poeta não pára
O poeta palra
O poeta parla
Pássaro
O poeta paira
Para observar
Todos os campos de pouso
Todas as vias de acesso
Mãos e contramãos
Para depois seguir
Seu vôo
Porque do que ele gosta
Mesmo
É despencar
Dar rasantes entre
Um penhasco e outro
Rasgar asas
“Tirar finos” nas cordilheiras
Sumir nas nuvens
Voar, cantar
“Sem se deter em discutir
A utilidade do seu canto”*
Ou do seu vôo.

*Roraima Alves da Costa


 
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