DESCOBERTA

Eu descobri.
Descobri desde muito cedo.
Eu decifrei a medusa muito cedo.
Por isso não me adiantava
Em dias úteis
Fazer algazarras com meus companheiros;
Juntarmos os gritos,
Enlouquecer a rua.
Todo o resto era silêncio:
Os homens nos olhavam com suspeita.
Depois,
Quebrávamos copos e garrafas,
De pura dor.

Eu descobri.
Descobri desde muito cedo.
Descobri a esfinge da mediocrização
Plantada às portas da minha aldeia.
Descobri que, por isso,
Eu seria um homem eternamente só.
Eternamente só e triste.
E desde então permaneci só,
Mesmo tendo quebrado o milenar
Código de pedra.

Certa vez, numa noite carnavalesca,
Eu estava sem camisa, na porta de um bar,
Com uma sombrinha colorida na mão.
Não sabia em que direção ir.

Passei quase toda a minha vida assim:
Sem saber a direção.

Naquela noite, eu voltei para casa
Com um gosto de álcool na boca
E lágrimas nos olhos.

(Ribeirão/ julho de l986)

 

 
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