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ALGUNS POEMAS DO LIVRO: À BEIRA Agonia Não tenho paciência Nem mortos Não celebro nada A vida é esta faca Sem corte Acostumada
Gentes de amanhã: Tudo que escrevo Se afasta Me afasta
Estou rodeada Dos que sequer conhecem a palavra Pérola
Chuvas
Algumas pessoas Morreram
Num dia rude de dezembro Depois das Chuvas
Pela televisão as imagens Da cidade afogada
Algumas pessoas morreram Fazendo os gestos estranhos Dos que pedem socorro
Cena
O menino dorme Na calçada
Ao sol do meio-dia Encolhido Aconchegado em algum útero O menino dorme
As pessoas passam Algumas olham
Reparação
Chuvas trovoadas Relâmpagos Filhos Decapitados Em praças Públicas agonias
Eu tive a oportunidade de sofrer
O Gabriel
Espantava as Pombas e Ria
Era criança e queria Descer a escada rolante De uma estação do Metrô
Ágil Corria No seu quintal de asfalto Rindo apontando mostrando Respirando a Qualidade do ar: péssima
Constatação
Diante do morto:
Como fiz Pouco
Pedido
Poupe-me O Sonho louco:
A permanência
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