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POÇO DA CRUZ
Rosinha O velho açudão secou E só sobrou muito espinho Nos montes de terra em pó
Rosinha O céu tá limpo, meu Deus Nos paus não tem mais um ninho Os filhos tão que faz dó
Rosinha O que foi que a gente fez? Nos pastos não tem mais rês Até sabiá calou
Mulher Já nem pareces mulher Com bicho, ou fome de bicho Já parecemos, Rosinha
É pedra É pau, é monte de osso Dos frutos, somos caroços Perdidos no seco chão
E vida Que vida é esta, Rosinha Do quarto à sala, à cozinha Da roça à vala da morte?
E morte Que morte é esta que vem Pra gente que nem vida tem Nesse cercado de ausências?
É duro É duro e não tem saída É penar na dura lida Nossa servil inocência
EUNÁPIO MÁRIO LITERADURA, edição do Autor, pág. 66
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