ÉTICA DO PACIENTE SOBREVIVENTE

Continuava aos noventa sofrendo do mal

De que diziam não haver ainda um “ex”.

E procurou outro especialista

Porque, com prognóstico sombrio,

Não poderia ficar sem os bons cuidados médicos.

E a ele não falou – era da sua ética de paciente –

Não lhe falou sobre os demais colegas seus

Que sempre o medicaram com dedicação

E foram iluminados e tiveram tanto êxito.

 

Não era um ingrato. É que não lhe convinha

Sobre tantos falar. Nada menos de sete

Foram e todos morreram.

 

E este último bem poderia ficar

Receoso de ser o próximo.

 

GERALDINO BRASIL

(Não Haverá o Anoitecer)