O ASSALTO DOS DIAS

Quando de mim roubarem os dias
E o sol for cúmplice do assalto
Meus olhos ilharão o asfalto
Tirando-lhe, assim, a melodia.

Quando de mim roubarem os dias
E a morte vier a mim pedir morada
Prenderei a vida à curva-estrada
Para que entoe gritos de alforria.

Quando de mim roubarem os dias
E a mão sacra apunhalar-me a face
Encharcarei de sangue a sagrada arte
Sitiando a sorte vil da poesia.

CIDA PEDROSA
FONTE: livro, O CAVALEIRO DA EPIFANIA