SOBRE CAVALOS

Os cavalos encilhados
No pátio da grande casa
Esperavam os cavaleiros.
Até a partida geral,
Tabicas envernizadas
Ou relhos em couro entrançado,
Batiam de leve, ágeis,
Na própria perna ou perneira
Das moças e dos rapazes
A direita a fustigar
As ancas dos seus cavalos.

Travessia dos riachos,
Respingo das águas rasas,
O cheiro silvestre, o barro
Recendendo forte à urina,
Se chovido ou se orvalhado,
Nas proximidades das casas.

O copo d’água na porta
Dos compadres e comadres,
Depois do doce da fruta
Feito com caldo de cana,
No fogo tornado em calda.

E havia o passeio a dois,
As águas chamando o corpo,
O banho em lugar secreto,
Por entre bambus, o vento
Arrepiando as espáduas.

 

CELINA DE HOLANDA
Fonte: Cadernos da Poesia Pernambucana 2
Edições Pirata – Geração 65
(Págs. 10 e 11)