O “BUMBA MEU BOI”

 

Na pupila das janelas

O terreiro hoje vazio.

O que era, que à noite vinha

Nas vozes e nos batuques

Dar poder a quem não tinha

E justiça a quem pedia?

 

Onde andará Cherubina,

Pano branco na cabeça

Segurando com firmeza

Seu cantar e seu menino?

- “Catirina, cadê seu anelão,

Alfineite de ouro e correntão”?

 

Cherubina, Manuel Pichete,

Pedro Boiada, que não respondem:

“Papagaio lôro

É lôro, é lôro, é lôro,

Ô lêlê,

Papagaio lôro”.

 

“Maria foi tomar banho

No rio e quebrou o pote,

Ê o ê,

É um pato, é um peixe,

É uma xícara, é um pote”.

 

E a toada final,

Movente, se despedindo:

“doutô Clementino

É uma beleza,

É um cravo branco,

É uma luz acesa”.

 

 

CELINA DE HOLANDA

Fonte: Cadernos da Poesia Pernambucana 2

Edições Pirata – Geração 65

(Págs. 12 e 13)