INTERROGANDO

 

O que estaria por trás

Dessa ordem austera e calma,

Que fundamento fundou

Os alicerces da paz

Dessa casa e minha infância?

 

Ruíram com a sua época

Os donos da Casa Grande

 

Não deram o salto final,

Com seus corcéis, seus anéis.

Nada previram da história

Do bom senhor e o bom servo

Em contas se separando.

 

Amei a casa dos simples

Com a sua pobreza branca

E vi, da carne morena,

A chama viva apagada

Nas águas negras do mangue.

 

Mas, de onde vieram eles

Com olhos de verdes longes?

 

Que mundo de fala estranha

Jogando de “perde-ganha”

Com pressa de chegar, tange

Do seu lugar sobre a terra

Pejada de açúcar e relva

Os que chamei pelo nome?

 

 

CELINA DE HOLANDA

Fonte: Cadernos da Poesia Pernambucana 2

Edições Pirata – Geração 65

(Págs. 19 e 20)