ENTRE A MESA E OS CONVIDADOS

Entre a “dispensa” e a cozinha
Era o reino de Jovina,
O auxiliar, Caboclinho,
Famoso porque bebia,
Conforme o vício obrigasse,
Álcool, usga ou aguardente.
Rachava lenha, trazia
As frutas frescas da horta,
Além de prender, soltar
E alimentar os cachorros
De caça ou guarda, do engenho.

Nos tachos de cobre, os doces
De goiabas, de araçá,
De jaca, caju, banana
E ainda os cristalizados,
Sendo melhor o de laranja.

Licores que a minha sogra
Com paciência infinita
Passava e repassava
Até ficar cristalino
Para as festas de dezembro,
Comemorando a passagem
Do aniversário em setembro,
Das bodas, da formatura,
Dos bacharéis em Direito,
De dez em dez anos, juntos,
Para o almoço no engenho.

O catecismo, a escola,
Batizados, casamentos.
Acordes de “serafina”,
Dona Vitória ensaiando
E o coro, firme, cantando
(masculino e feminino).

 

CELINA DE HOLANDA
Fonte: Cadernos da Poesia Pernambucana 2
Edições Pirata – Geração 65
(Págs. 8 e 9)