E ERA O ENGENHO BRILHANTE

 

E era Yayá, caseira

Do antigo engenho Brilhante,

Seca de corpo, viúva

Desse querer redondo

De esposa e mãe, Yayá

Só lágrimas por minha mãe

Morta ainda jovem e que amara

Noutras terras desde a infância

Na casa dos meus avós

João Batista Acyoli Wanderley Lins

E sua mulher Joana

A que chamavam Doninha

Dos Pais Barreto do Cabo

Unindo os Barreto aos Lins.

 

Lembrando o engenho Brilhante

Nos vidros da guilhotina

De suas janelas amplas,

Se passo lembro a menina,

De verde, só vejo as canas,

De vivo, só o cavalo

Pisoteia a estribaria,

Solta a energia no pasto

Enquanto aguarda seu dono

(meu Tio, depois meu sogro)

Doutor Manuel Clementino

Cavalcanti de Albuquerque,

Senhor do engenho Pantôrra,

Pela Europa viajando.

 

CELINA DE HOLANDA

Fonte: Cadernos da Poesia Pernambucana 2

Edições Pirata – Geração 65

(Págs. 16 e 17)