DAS ÁGUAS E SEUS CAMINHOS

 

Havia as águas caindo

Na rampa da cachoeira

Parecendo um lençol branco

Por entre espumas fugindo,

No susto da lavadeira,

Vezes abrindo ou estreitando

Por entre pedras ou não

Conforme fosse o caminho,

 

Levando as folhas, garranchos

Ou ingás de polpa branca,

Passando rente na mata

Onde gritava o pavão.

 

E eram as águas na bica

Correndo em nossa nudez

Os cheiros da natureza

E a seiva do sabonete

No corpo se desmanchando.

 

 

CELINA DE HOLANDA

Fonte: Cadernos da Poesia Pernambucana 2

Edições Pirata – Geração 65

(Págs. 14 e 15)