PARA FAZER UM SONETO

A Tomaz Seixas

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere pelo instante ocasional.
Nesse curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.

Aí, adote uma atitude avara:
se você preferir a cor local,
não use mais que o sol de sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.

Se não, procure o cinza e essa vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse,
antes,deixe levá-lo a correnteza.

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza,
ponha tudo de lado e então comece.

CARLOS PENA FILHO
(LIVRO GERAL - POEMAS
)