A SOLIDÃO E SUA PORTA
A Francisco Brennand

Quando mais nada resistir que valha
A pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar,
(nem o torpor do sono que se espalha).

Quando, pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
E até Deus em silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha

A arquitetar na sombra a despedida
Do mundo que te foi contraditório,
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída:
Entrar no acaso e amar o transitório.


Fonte: LIVRO GERAL – 3ª Edição
Organização e seleção dos textos:
Tânia Carneiro Leão