| MESMO
ASSIM OU QUASE
(Manuel Buarque)
Às vezes, eu, não sei por que, me espanto.
À minha volta, eu nada vejo, e tento,
De um jeito ou outro, ver algum alento.
Nem a mim tenho... É mesmo assim, no entanto.
O que procuro, como que sem canto,
E sem futuro, frustra o meu intento.
E não desisto, e continuo... Mas lento.
E o que prospera é tudo o que não planto.
E é nessa hora que eu me desmonto
E um pranto seco choro... E não desminto...
E eu me excedo quase assim... Extinto...
Sem nada em volta e, dentro, eu nem conto,
Por desencanto, chegar a algum ponto.
Tão só estou que nem em mim me sinto.
(Recife, 26nov06)
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