ALPENDRE

faz dias que não chove.
as noites nem orvalho tem.
beira de rio me comove,
indo vazia para além.

à dor de cabeça, chora
no alpendre moça de bem:
a única a molhar a flora.

vertendo lágrima e água,
ela banha abrolho e graveto.
rega que a flora aflora,
à custa de dor,
sem tempo de ir embora.

BUARQUE NETO
FONTE: do livreto MANDEMIDAS
poema musicado por Evaldo Dantas