PROTOCOLO DE KIOTO

Gases venenosos estão no ar:
Dimanam dos organismos fabris.
Queimadas. Árvores cortadas.

Terra seca forte calor
Bois sem pastios
Desertos rios
Flores desmaiadas
Besouros sem néctar
E pássaros sem norte
Arribações à própria sorte
Manhãs sem brilho
Rouquidão nos grilos
Papagaios sem fala
E araras tontas
Gaviões míopes
Não vejo bem-te-vis
A onça sem pintar 
Borboletas sem bater

Resíduos tóxicos vagam nos rios e, no mar,
As aves marinhas tomam banho de graxa...
Radiações. Transformações. Inundações.

Milhares de peixes fora da água
Baleias, encalhadas, sem poder nadar
Manchas negras de petróleo no mar
Descargas dos navios
Corais de óleo
Tubarão engolindo lixo
Camarões assustados
Peixes sufocados
Soníferos caranguejos
Na beira do mangue
Fios avermelhados escorrem
Nos riachos envenenados
Vinhoto no rio
Rio doce amargo
Uma lagoa quase secou, mudou de cor...

Eu vi.
O sapo-cururu
Ficou azul...

BALAU