| ENCANTO
RADICAL
(poema trabalhado com títulos de livros)
Pelas ruas da cidade,
Eu vi a libertinagem do Sol.
Como um simples homem de visão,
Viajei por mares nunca dantes navegados
Em busca do real maravilhoso.
Porém, o mestre do medo,
Com a transparência do sonho,
Me empurrou novamente no caminho das tentações.
Virei o humorista da democracia:
No centro da cidade, rodando à baiana,
Sou o panfletário da independência,
O negro branco, o poeta do absoluto.
Sou o nascimento do cinema,
E o mundo é turvo,
Mas, aprendo a vida como revolução,
Como os sete encontros com o leão,
Tentando ser o performático precoce.
Cristianismo e revolução
É uma filosofia a marteladas.
Não busco a dramaturgia do terror,
Vivo à busca da decência,
Pois sou um guerreiro sem repouso,
Nunca um profeta em Nova Iorque.
Busco, também, outros heróis e esse Graciliano:
Nenhuma ousadia é fatal.
Um poeta do apocalipse ou o anjo de cara suja
Através do espelho?
Assim, eu envelheço com a razão dos vencidos
Com o sorriso da razão à musa radiante,
Que é, simplesmente para mim, a noite estrelada.
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