A VITÓRIA DAS ARMAS (Prosa)

Não acredito que a vitória do NÃO vá transformar a população em guerreiros armados prontos para qualquer eventual combate. Nem o PSTU admite essa possibilidade. Comércio de armas é caro!... Além do mais, não fomos educados nem estamos preparados para a guerra. Claro, também, que seria ingenuidade achar que a proibição do comércio de armas de fogo iria acabar com a violência. Existem outros instrumentos letais a serviço da intolerância e todos a serviço do banditismo. Na verdade, eu escolhi o SIM, tão-somente pelo meu caráter pacifista.
Ouvi, numa versão moderna da peça, Hamlet, a seguinte frase: “Uns velam enquanto outros dormem”. Deveria ser o lema da Segurança Pública. Entretanto, a desconfiança quase generalizada no próximo, ultimamente, tem deixado muita gente com insônia e dor de cabeça. Ninguém confia mais nos sentinelas, melhor dizendo, em ninguém! O cidadão, hoje em dia, deve andar prevenido não só com bandidos, mas com outros diferentes tipos de ameaça. Pode ter sido um dos motivos para a vitória do NÃO!
Um certo general romano afirmava: “A vantagem do soldado é poder olhar no olho do inimigo”. Acontece, general, que vivemos um outro tipo de guerra. Hoje, caseiros armam e se armam para matar os patrões. Funcionários de empresas dão dicas para os ladrões entrarem nos cofres. Alguns que deveriam se colocar na qualidade de verdadeiros guardiões da população (até políticos, policiais, etc.), estão fazendo o caminho inverso. Na favela e na rua, então, é um “Deus nos acuda!” Mesmo assim, não conseguiria andar armado nem armaria minha família.
Acredito que a melhor saída para o país ainda é a Educação. Os de bom-senso sabem disso!..Contudo, séculos passarão antes do surgimento de um indivíduo com semelhanças espirituais às de um Cristo ou de um Gandhi no mundo, porém, ainda reservo esperança no futuro de nossos filhos. Digo isto, mesmo sendo um profeta da Boca, e não um dos evangelhos.

BALAU, O PROFETA DA BOCA DO LIXO.
(Texto extraído do fanzine Poesia Descalça nº. 96 – novembro de 2005, referendo para aprovar ou não o desarmamento da população)