SALOMÉ TODA DE VERDE...


O teu vestido verde, esse vestido
com que te vi domingo, na novena,
não condiz bem com tua tez morena...
Não o uses mais! Atende a este pedido!


Tu, que és somente Malvadez e Olvido
e tens no peito um coração de hiena,
olha que esse vestido te condena
e é, no teu corpo, um símbolo traído!


Guarda o vestido verde... ou não te zangue
o que te imploro aqui, flor das Ingratas:
muda-lhe a cor... Embebe-o no meu sangue!


Sou teu São João, ó Salomé sem dança!
Mas, se - morena e má - rindo me matas,
não me mates vestida de Esperança!...


FONTE: livro MEIO-DIA ETERNO.
FUNDARPE – RECIFE, 1994