O ÚLTIMO
PORTO
A Nehemias Gueiros
Porto do Desencanto. Cais do Tédio.
Calmaria. Abandono. Solidão.
(A quem dizer meu último epicédio?
A quem fazer minha última canção?)
Depois de tanto malogrado assédio
A naus esquivas que bem longe vão,
- este ancorar soturno, e sem remédio,
Do velho brigue que é meu coração...
Meu navio-pirata doutros dias,
Velas colhidas – que de nostalgias
Nessa langue modorra junto ao cais!
Ontem: Mar alto...expedições bizarras...
Hoje (é inútil que tremas nas amarras):
A solidão... a bruma... o nunca-mais!...
|