VENCEDOR


Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E, à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração - estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos; por fim; ao todo, uns cem...
E não pôde domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

AUGUSTO DOS ANJOS
Fonte: EU E OUTRAS POESIAS (Pág. 163)
27ª Edição - BEDESCHI - RIO DE JANEIRO