PALHAÇO
Meu coração virou palhaço
De tudo a rir!... De tudo a rir!...
O sofrimento tornou-o de aço
E assim vai ele, pobre palhaço,
De tudo a rir!... De tudo a rir!...
Eternamente filosofando,
Alheio a tudo que o mundo adora,
Vai com as mágoas organizando
Doces canções que vai cantando
Quando, coitado, tristonho chora!
Quando dos homens a covardia
Mais suas dores quer aumentar,
Ele sorrindo sem fantasia
Em muito aumenta sua alegria
Em vez de irado vociferar.
A indiferença nele hoje mora,
A nada mostra ficar sentido,
Nas próprias dores se revigora,
- de tudo ri-se!... – de nada chora!...
Quando, coitado, vive ferido!
Meu coração virou palhaço
De tudo a rir!... De tudo a rir!...
O sofrimento tornou-o de aço
E assim vai ele - pobre palhaço -
De tudo a rir!... De tudo a rir!...
FONTE: EU VOLTAREI AO SOL DA PRIMAVERA (Constelações)
Livro organizado por Jessiva Sabino de Oliveira.
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