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POEMA SEM ECO
Um ecologista
De renome e mapas
Dá a conferência de cúpula
Na hostil e cinzenta
Selva de cimento
E fala de pássaros
E peixes exóticos
Ainda não extintos
Discursa toda flora
E fauna
Molhando a glote
Com água engarrafada
No décimo andar
Do Palace Hotel
Sauna e massagens
Lhe esperam
Logo mais (à mesa farta)
Enxúndias de salmão
E perdizes
Vão fumegar e embaçar
Extensos vidros fumê
Para os que ficam
Do lado de fora
De chapéus e cuias
Viradas pro céu
Comendo salgadas
Sardinhas sem cabeças
FONTE: livro póstumo SINGULAR & PLURAL
Págs. 113/114
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