SONETO DE TORTURA
E DESENCANTO
Não sei que angústia me incomoda o peito
Que não posso estar firme nem parado.
Com o pensamento sempre desvairado,
Falta-me calma até quando me deito.
À noite vago as ruas, odeio o leito,
Não durmo, não descanso, não me enfado,
Não fujo, não me mato, e o rosto irado
Até de rir perdeu a forma e o jeito.
Por isso não te admire, amiga minha,
Que ternura hoje em dia me careça
Na voz, que tantas vezes te acarinha.
Mas é que sofro de sentir diverso:
E onde repousarei minha cabeça,
Se a dor humana não couber num verso?
FONTE: Livro, DIDÁTICA DA ESFINGE
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