OS SEM RAÍZES

a Alexandre Maia e Wânia Maia

Os que não têm raízes
Ancoram em qualquer porto.

Para eles as paisagens são iguais.
O céu é o mesmo céu.
O mar é o mesmo mar.
Apenas algumas nuvens mudam de lugar.

Os que não têm raízes
Acostumam-se com o tempo.
Só não sabem pedir um cobertor à tempestade
Nem chorar na amurada dos navios
A saudade do porto que deixaram.

Os invernos podem lhes provocar resmungos
Mas o verão, por mais que seja lúcido,
Está aí para isso mesmo.

Que o sol se esbanje sobre suas cabeças
Ou não se esbanje,
O seu relógio continua a andar
Com ou sem ponteiros.

Afinal que lhes resta por esperar?

 

ÂNGELO MONTEIRO