HORIZONTE SEM CÉU
A Ana Catarina Galvão
Em seu horizonte não cabe nenhum céu.
Pobres de si mesmos
Toda riqueza, não sendo a deles, é vã.
E só por isso o céu é vão. E vã toda poesia.
Miseráveis de flores, mas ricos de espinhos,
Como curar seu horror ao caloroso brilho
De qualquer estrela pousada fora de seu ninho?
Não sabem que cada estrela tem seu brilho
E nossos olhos foram feitos não só para ver: mas sonhar
Com o brilho de cada estrela refletida em nosso olhar.
Ah! a tristeza dos que têm olhos e se recusam
A decifrar o desenho das coisas.
Se fossem cegos possuiriam a glória de olhar
Para dentro de si mesmos. Mas como supõem ver, não percebem
Sua própria existência de pássaros cegos
Para o vôo. Para o vôo que -além das asas-
Os pudesse elevar ao coração da luz.
Ângelo Monteiro
(TODAS AS COISAS TÊM LÍNGUA)
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