AH! O EXÍLIO DA ALMA EM QUALQUER LÍNGUA

Ah! o exílio da alma em qualquer língua
E a palavra atingida sempre aquém.
As bocas de água viva estão à mingua
E a poesia não morre por ninguém.

Floresce o nada em todos os canteiros
E uma rosa se estiola. Para quem?
Tombam de solidão negros ponteiros
A apontarem um tempo que não vem.

E porque ao chão olhar te desconstelas
Dos que te querem clara, e te irrevelas
Àquele que teu fogo em si retém?

Mas nesse fogo como a busca é fria
Mas nesse vôo como se esvazia
A asa que se volve sem o além.

ÂNGELO MONTEIRO

Fonte: Livro, O Exílio de Babel, 1990