SYLVIA PLATH - PRIMAVERA

Você me chama de puta. Eu componho.
Aterrisso nas suas
composições - partitura. Seus fantasmas
me elogiam pelo olho.
Você se arrepia na fotografia. Eu
dorminhoca, ARIEL, grega,
SAFO. Faço na pétala cruel. Diante da
geladeira, procuro,
procuro e me horrorizo com as crianças
esquálidas da Nigéria.
Mamãe me ajuda. E dentro do cubo
piramos. Piramos
simplesmente. Batem 7 horas. Terrível -
precisava dizer uma
imagem vampirizante. Faço alquimia com
as datas. Corto-me e
fito o sangue correr. Eu intacta.
Condiciono-me a beber da lua,
sua cara de pus e riso. É assim que
funciono:
metal maciço aracnídeo.

Meu estado de putrefação me acorda -
nó de força. Do quarto
a alvura do lençol
canta. Eu amava.
Insuportavelmente amava.
Dependurada, chuto o banco.