QUATRO CANTOS AOS POETAS SUICIDAS
Numa sala branca
VERÃO - IAN CURTIS
Iam dar quatro horas. Tarde de verão.
Mês de março. Eles estavam em círculo.
Toque. Libertação do corpo. Imaturidade
& descoberta. O fogo se acendia entre
os lábios. Silêncio e angústia nos olhos.
O inimigo à espreita, uma canção
bêbada e ele galanteia novamente com
poesias. Poeta, o chamam. E a tarde
inteira cai lentamente. O rio, a floresta,
pensar as folhas, pensar o ar, as portas
entreabertas para quem quiser penetrar.
Seu amigo vai ao fundo, tem medo de
você. Se veste de hipócrita e se rende
mais uma vez.
Agora que você é rei da Prússia,
gargalha do semblante dos homens.
Numa casa escura ele detona o silêncio
com canções antigas tocadas no cravo e
baila com um sorriso pesado maldito.
Joga fora teu desejo pelo ralo, de estar
por um momento, enxergando tudo e
não estando em nada. Sobe a canção, o
volume do som preenche toda a casa, as
paredes brancas, os móveis
empoeirados, ele tortura-se e não
consegue chorar mais, porque todas as
coisas se fecharam em silêncio de morte.
O último odor. O imediatismo, o
sentimento de poder o domina,
fecham-se as janelas vizinhas. O tiro.
O primeiro vôo de um
pássaro. Mas agora ele fede para
a realidade. Pele toca no
rádio outra vez.
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