INVERNO - FLORBELA ESPANCA
Seus ácidos a levaram para a bolsa
d'água. De lá o ritmo
estrondante do inalcançável.
Retornar por mim, mas ele não - dentro
de mim, não posso me
conter:
Amo-te.
Essa é a terrível verdade das multidões
embriagadas. Poderiam
Ser todos mas:
Logo tu.
Prefiro o mar a não tragar de ti um único
suspiro tolamente
nua.
Noutro sistema você me penetrava
Nosso orgasmo transcendia a cruz de
sangue
congênita, nojenta.
Meus lábios esbranquiçados
desenharão para sempre: te esperando.
Sofro. Amor. Irmão.
Ah! Que existência tirana. Não suportar
sua música
(Nesse momento fecha as janelas, cria o
escuro e a
claustrofobia, liga o gás de cozinha e
acaba-se fatalmente e
sozinha)
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