PUDORES

Ao falar de nós,
ela sempre receia
que o poema fale demais,
e fiquemos nus
nas bibliotecas
e salas-de-estar
dos pouco amigos
que o lerão;
seu receio é tanto,
que o poema fica orgulhoso,
como se não fosse
(como nós)
desaparecer.

FONTE: CLAU (POEMAS)
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