VOLVER

Fui menino de quatro paredes,
De pedir consolo à Lua.
Fui menino de janela,
Fixar calçadas nuas.
Não via a vida correndo lá fora.
Lá,
Depois do meu quintal,
Da minha rua,
Daquela pracinha,
A vida fervia;
A vida era só sangue.

Fui menino de corredores de internato,
De obedecer cegamente a pais e professores.
Fui menino bonzinho,
De fixar leis.
Não via a vida correndo lá fora.
Lá,
Depois da sala de aula,
Dos muros,
Daquele portão,
A vida gemia
Num povo que já conseguia quebrar algumas algemas.

Hoje,
Ainda me recordo dos gritos do instrutor:
“Direita, volver!”
Essa ordem,
Eu sabia, estava no meu íntimo,
Que um dia eu iria
Desobedecer.

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