SONHOS


Várias vezes cortei
— e várias vezes reatei —
O meu cordão umbilical.

Quantas vezes pulei os muros,
Fui com o vento,
E voltei para a prisão de tantos quartos,
Escandalizado com meus atos.

Muitas vezes revigorei a arte morta
Com língua arisca e frases tortas,
E temi a censura em minha porta.

Todas as vezes, voltei covarde
Dos abismos, dos desafios, das tempestades!

Prisioneiro da rotineira vida, da Família, do Estado,
Da própria Lua,
Fugi de tudo isso para domar o Universo,
E terminei nem conquistando a minha rua.

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