SONHOS DE PEDRA

No tempo das vacas magras,
Eu vi, muitas vezes, bois voando.
A serpente venenosa que andava à minha volta
Trazia na boca uma maçã do amor,
E o riso solto do meu lábio
Ria da própria tragédia.

Loucos, famintos e bêbados
Almoçavam, em minha frente,
Restos da sociedade incandescente
Que vomitava luz e lixo.
Lobos espreitavam-nos dos edifícios
E sonhos de grafite tentavam marcar altas paredes.

Eu sonhava nos tempos das vacas magras,
Eu sonhava...
Um riso seco, débil, faminto de outro,
Mas riso,
Para provar que a vida só merece ser vivida
Se você for capaz de acreditar sempre,
E de olhos bem abertos para a Luz.

Um soco na pedra dura:
Eis o que é sonhar;
Até poder verter água, leite e pão,
Ou, só lágrima.

 

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