RESSURREIÇÃO


Ao fundo, o sombrio:
Mil outonos de dor
E primaveras mortas;
No chão, cinzas de vegetais
Sem inverno nem verão.
Os séculos dormiram em
Caos e sombras
Quando os homens assassinaram a História.
Uma semente profunda e estranha,
Porém,
Juntou-se aos restos de vida
Encontrados nos telúricos desejos,
E reabriu-se no árido,
Voltando da combustão apocalíptica
Em vegetal surrealismo;
Rindo dos destruidores das artes,
Dos apagadores de sóis,
E das explosões nucleares.
Ela veio recolorindo a natureza
De boca, dentes,
Raízes e verde,
E cheiro,
E saliva,
E caules bravios,
Para despertar do caos.

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