O DESPENCAR DA LUA


Declina-se a Lua...

Há bares cheios e vazio em mim.
Há burguesas perfumadas e suor no meu corpo.
Há presença nas ruas e confinamento em meu quarto.
Há dinheiro nos bolsos e minha carteira vazia atirada
Num canto do quarto.
Há risos brotando e amargor em meu peito.
Há calcinhas retiradas e eu nu e só.
Há crianças dormindo e a minha insônia querendo conversar.
Há namorados nas praças e meus olhos namorando as estrelas.
Há deuses no infinito e um mortal limitando-se.
Há guardas trabalhando e eu parado na janela.
Há prostitutas enfrentando a vida; eu, cheio de temores.
Há um mundo em crise e eu perdido no tempo.

Despenca-se a Lua....

Os bares já estão vazios e meu vazio aumentou.
As burguesas já se foram, o meu suor esfriou.
As ruas estão desertas e meu quarto não se abriu.
Houve gastos, houve farras, e eu não fui trabalhar.
Os risos escoaram-se e o meu peito é só silêncio.
Mulheres saciadas, meus olhos rasos d’água.
As crianças continuam a dormir; eu, a procurar soníferos.
Os namorados já se foram, as estrelas também.
Os deuses estão mortos e este mortal ainda vive.
Os guardas voltam para seus lares, e eu parado na janela.
Há prostitutas consumidas; quem consumirá meus temores ?
O mundo continua em crise, apesar deste sol radiante.

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