OS ÚLTIMOS PÁSSAROS DA CIDADE
As cigarras já não cantam continuadamente.....
As cigarras gemem, esgotadas, na praça quase deserta.
Novembro: um velho cutuca o nariz.
Há tédio no ar de poucos pássaros.
Hoje os besouros e insetos mecânicos ensurdecem a cidade
As cigarras não cantam mais, os pássaros não
cantam mais.
A poluição mata os últimos pássaros
da cidade.
Os pássaros já não cantam continuadamente....
Os pássaros emigram, esgotados, deixando a praça
quase deserta.
Novembro: O suor me faz coçar a cabeça.
Há tristeza no ar de poucos pássaros.
Hoje pássaros metálicos despejam bombas sobre
a cidade.
As cigarras não cantam mais, os pássaros não
cantam mais.
A guerra mata os últimos pássaros da cidade.
A praça está quase totalmente deserta.
Um bandido encosta a pistola na minha cabeça.
Um senhor de maleta passa indiferente.
Um casal de namorados, que se beijam, nem percebe.
O mundo se faz cinza, escurece e explode como um tiro.
Estão matando as cigarras.
Estão matando os pássaros.
O próprio homem mata o homem.
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