MIRAGEM
À Patrícia Soledade

Olhar pra você
É olhar pro fundo do poço
Se perder de tanto horizonte
Navegar sem avistar monte
Esperar o cometa passar
Mergulhar num abismo sem fundo
Ver uma luz no fim do mundo
Caminhar com o eclipse lunar
Dar mil voltas no carrossel infantil
Não saber o que é verde, o que é anil
Entrar na imensidão do mar
Se perder pra mais nunca se achar
Apreender um milhão em um segundo
Encontrar o outro lado do profundo
Não saber procurar o que perdeu
Ter torpor semelhante ao de Morfeu
Desmaiar na terça de Carnaval
Procurar, na noite, estrela cadente
É sentir a explosão de uma semente
É comer do fruto do Bem e do Mal
Cometer um pecado imortal
É ter uma parte do mapa do paraíso
É ter o inferno de Dante dentro do corpo
É estar vivo e, ao mesmo tempo, estar morto
É cair do trapézio sobre a rede
É beber, freqüentemente, e ter sede
Caminhar de pés descalços na areia
Alucinar-se com o canto da sereia
Explorar espaço aberto sem ver Deus
É ter, bem perto, o mistério que há no ar
É não saber quando a tempestade vai passar.

 

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