FRUSTRANTE

Acordei, um dia,
com os passarinhos beijando os espantalhos,
e pensei, por um momento,
que o paraíso tivesse baixado entre nós.
Caminhei num campo onde os lobos e os cordeiros
se abraçavam sob a brisa,
numa estranha revolução.
Continuei, apressado,
com os gritos das flores e dos espinhos
me pedindo para ficar.
Mas eu queria concretizar
o que me parecia uma ilusão,
uma maravilhosa ilusão.

Adentrei na cidade
e cruzei as calçadas.
Virei ruas e becos,
dobrei esquinas de pedra.
Tudo era pedra.
Havia pedras nas almas humanas.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto /quase um gás/
a me cegar.

Ao cair da tarde,
eu deixei a cidade.
Voltei ao campo
E me deixei cair na relva macia,
desolado.

Acordei no outro dia:
Os passarinhos tinham estraçalhado os espantalhos
e dizimado as plantações.
Os lobos se banqueteavam,
Devorando os cordeiros.
E, das pontas dos espinhos,escorria o sangue claro
das pétalas das rosas.
O mundo tinha voltado a ser o mesmo.

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