SEGUINDO VIAGEM

Dirijo meu carro madrugada adentro
Nas ruas de raros táxis baratas luminosas.

Apesar do deserto não há tempo para meditação:
Nesse campo eu apenas arranhei a superfície das coisas elevadas.

Os sinais vermelhos não devem ser obedecidos
Há vozes indistintas nas sombras.

Um pouco de adrenalina desce no sangue
É apenas um carro que acompanha o meu
E, finalmente, dobra a esquina.

Aparecem os primeiros motoristas nas paradas
Os primeiros jornaleiros
Relembro meus tempos de boêmio
Quando era um bicho de hábitos noturnos.

Passo num sinal verde com cautela.

Daqui a pouco a civilização deve acordar outros motores.
Logo, devo amanhecer menos poderoso, menos dono da estrada,
Menos dono do mundo.

E, é quase certeza que, lá na frente,
Serei apenas um ponto num engarrafamento qualquer da estrada.

 

Jocadeoliveira.com© 2006 All Rights Reserved.