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SEGUINDO VIAGEM
Dirijo meu carro madrugada adentro
Nas ruas de raros táxis baratas luminosas.
Apesar do deserto não há tempo para meditação:
Nesse campo eu apenas arranhei a superfície das coisas elevadas.
Os sinais vermelhos não devem ser obedecidos
Há vozes indistintas nas sombras.
Um pouco de adrenalina desce no sangue
É apenas um carro que acompanha o meu
E, finalmente, dobra a esquina.
Aparecem os primeiros motoristas nas paradas
Os primeiros jornaleiros
Relembro meus tempos de boêmio
Quando era um bicho de hábitos noturnos.
Passo num sinal verde com cautela.
Daqui a pouco a civilização deve acordar outros
motores.
Logo, devo amanhecer menos poderoso, menos dono da estrada,
Menos dono do mundo.
E, é quase certeza que, lá na frente,
Serei apenas um ponto num engarrafamento qualquer da estrada.
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