| PERDAS
(Para Nana)
Um momento, e cai até a flor artificial.
Começam a acontecer coisas
Sem a necessidade de ti
Que se acreditava tão responsável
Por tantos.
Chega uma estação onde tudo dói
E a nossa fragilidade se acentua
Também na tentativa da reconstrução.
Chega uma ocasião
Em que abdicamos dos sonhos
Por medo que eles arrastem
Novos pesadelos.
Essa temporada onde as sombras
Acinzentam todos os caminhos
Te vejo. Permaneces à janela
Ou na varanda
E teus irmãos e filhos
Brincam, distraídos de ti,
Na outra margem do rio...
E vão se enfraquecendo
As paredes e os amigos.
Os amigos?..
Soubemos que estão
Em local incerto e não sabido...
Contudo, hoje de manhã,
Ainda vi o fraco brilho dos teus olhos
Tentando alcançar
A força benevolente do Sol
JOCA DE OLIVEIRA
Recife, 30 de dezembro de 2005
|