O POEMA DOS ABRAÇOS

A loira era alta, braços longos,
Desengonçados.
Olhos azuis: grandes também,
Mas tinha um rosto de menina.

Me abraçava de corpo inteiro
Como se temesse meu afastamento.
Não desatava antes de mim.
Por ela, ficaríamos horas colados,
Como numa fotografia.

Abraço demorado, sincero, quente,
Quer na partida ou no reencontro,
No meio da festa ou na hora da dor.
Abraço inesquecível, irrecusável.

A negra era forte, braços carnudos,
Boca carnuda.
Olhos pretíssimos de fundo branco,
O sorriso branco, lindo.

Me abraçava me dominando,
Fungando no meu cangote
Como quem procura sexo.
Nervosa, suada, como quem
Procura a pele.
As mãos: duas cobras
Dentro da minha camisa...

Abraço antidepressivo, alegre,
De chamar gargalhadas, beijos.
Abraço que tanto podia ser
Da amiga querendo ser amante
Como da amante querendo demonstrar
Ser amiga verdadeira.

A moreninha era frágil, no abraçar.
Colava a cabeça no meu peito,
Por ser de pouca estatura,
Como quem procura apoio,
Segurança.

Nada tinha de dominadora,
Antes, parecia um pássaro na mão,
O abraço do vento.
Era como uma canção de ninar:
Botava nós dois de olhos cerrados.

Minha Mãe
Me abraçou na alegria,
E muito mais na dor.
Nas horas de minha culpa,
Na minha máxima culpa.
No perigo e no medo e na humilhação.
 
Na humilhação,
O abraço amigo é indispensável como a água.

O abraço da minha mãe foi uma
Das grandes coisas verdadeiras
Que eu vivi.
Asas de águia protegendo o filhote;
Asas de um anjo visível.
Da lealdade e de proteção,
Seu abraço dizia tudo.

 

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