| OUTRO FINAL PARA VIRGÍNIA
Ela cheirava a gás néon e outros voláteis.
Alma noturna – urbana - gastava
Com vícios avaliados
Em bilhões de estrelas.
Buscava o prazer na noite veloz.
Evaporava-se na neblina da noite
Em meio a literatos:
Uns, sofridos intelectuais de botequim;
Outros, metidos a.
Ninguém fracassara ainda.
Conspirava contra sua saúde.
Adorava bastante uísque em versos e prosa,
Cigarros e delírios.
Começou a ouvir um coro de vozes suicidas
Clamando a desistir de tudo.
Como achava impalpável a substância da fé,
O caminho do abismo parecia
A sua derradeira angústia, porém,
Morreu com 90 anos, quase isolada no meio do mato:
Flores, leitura e os caseiros.
Não morreu de vodca, nem de tédio:
Louca, talvez.
Foi encontrada numa cadeira de balanço.
Um caderno de poesia no colo,
E todos juravam que ela morreria jovem.
JOCA DE OLIVEIRA
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