OS OLHOS VERDES DE TERESA
E O PERDÃO DIÁRIO DE DEUS


O azul da manhã
Antes de aparecer o Sol
Se parece com o azul do lápis de cor
Na cartolina de uma criança.

Eu penso nos olhos verdes de Teresa,
Tão reais na minha cabeça:
Folhagem... Mar...

Pássaros nervosos se beijam em pleno vôo.
Uma aranha faz evoluções, compondo uma grande teia.
Um jato deixa seu rastro no céu.
O homem tem seus cometas,
Fabrica suas nuvens.
Pudera a Ciência navegar
O infinito desses olhos!

A manhã está belíssima!
A vida é uma grande encenação!...
Qual a razão de toda esta encenação?

Dentro das casas, os homens não cometem crimes
Enquanto estão dormindo,
E Deus contempla homens ainda dormindo.
Acho que Ele deve ter, todos os dias,
Para os que merecem,
Sua cota de perdão.

Deus me dá o seu perdão diário...
Deus me dá os olhos verdes de Teresa.

JOCA DE OLIVEIRA
Recife, 1986/2006.


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