NEGRA
Para Pretinha

O teu olhar desarma toda a violência
E o teu sorriso é uma criança bem feliz.
O véu da noite se pendura em tuas tranças
E tua voz seria a paz que Luther quis.

Tens, do poeta, a mente livre e a claridade
E em tua face sobra luz e brilha a sombra.
Tu tens um novo grito bom de liberdade:
Vai protegendo tua vida que não tomba.

Teu corpo escorre um beijo doce à tempestade
E tua alma vi num quadro de Dali.
Vens espalhada pelos campos dela: África,
Enquanto vives desenhada em novo Di.

És minha luz, quando é angústia a madrugada.
Prisão quebrada, Iansã, dona de ti.
Muitos te querem - e tua Pátria - sempre escravas;
Eu só a quero, como deusa, junto a mim.

JOCA DE OLIVEIRA

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